Posts Tagged ‘sexo’

Sexo, abacaxi e feijão

fevereiro 23, 2010

por minissaia

Será que quem sofre de Distúrbio de Déficit de Atenção tem problemas no sexo? Afinal, os aplacados por este mal têm uma enorme dificuldade em se concentrar e é engraçado como mesmo um ato tão instintivo e animalesco como o sexo também requer capacidade de foco e concentração.

Tenho uma amiga que estava no maior bem-bão, com o cara mandando bem e tudo, mas, de repente, não mais que de repente, uma imagem pulou em sua cabeça. Ela não sabe dizer se foi sede, se foi um desejo reprimido, mas a verdade é que um grande copo de suco de abacaxi gelado apareceu em sua mente. E era só nisso que ela conseguia pensar. Naquele copo alto, suado pela baixa temperatura, cheio, lotado, de suco de abacaxi. Pega daqui, mete dali, e lá estava o suco de abacaxi. E o detalhe, não do sexo, do suco, era o guarda-chuvinha colorido, daqueles de enfeitar drink. Vai ver não era só suco de abacaxi e, sim, uma piña colada. Beijos, mãos e sexo… e o diabo do suco de abacaxi, com um guarda-chuvinha de papel colorido.

Ao ouvir essa estória, um amigo confessou que, uma vez, durante o sexo, começou a pensar num prato de feijão. Feijão!!! Ainda menos sexy que o suco de abacaxi. Um, pelo menos, refresca, é docinho. O outro, dá gases. Puns e sexo não combinam. Sexo e um prato de feijão quentinho… será que tinha louro e lascas de bacon?

Anúncios

Sexo, vai rolar?

novembro 19, 2009

 

(por saia apertadinha)

E se ele souber que não estou sendo o que sou? E se sorrir meio maroto, como quem tem mais dúvidas que certezas, e ele perceber que faço gênero? Bom, deixa para lá. É melhor procurar meus documentos na carteira: carteira de identidade, carteira de estudante (mas não sou mais estudante), CPF, cartão de crédito. Ufa! Ufa! Acho que ainda resta um pouquinho de mim nesta mesa. E se ele perceber que não sou tão segura quanto pareço? Ai, meu Deus! Vou sorrir novamente. Ele gostou muito quando joguei a cabeça para trás, soltando um sorriso curto, mas gostoso, enquanto ele abria a porta do carro. Será que vai perceber que menti descaradamente? Eu não vi o filme comentado por ele. Não conhecia os atores, muito menos aquele diretor de nome esquisito – acho que era russo, pelo menos terminava em “evisk”. Balancei a cabeça lentamente com aquele sinal de positivo, ele teceu comentários da vanguarda do cinema. Deixa-me colocar a máscara no lugar novamente. Upsss! Derramei o molho shoyo. O que faço? Banco a mulher desastrada ou a fresca? É melhor a despojada, que não liga para o molho preto, escorregadio, em sua roupa branca. Piadinha de molho shoyo vem à minha cabeça, por favor! – ÔOO, garçom, me vê uma porção de guioza. Escapei por pouco! Mais um teste.

Ofereço-me para pagar a conta? Mas se ela quiser dividir? Ela é bem feminista, melhor bancar o moderno. Ah! Quando ela sorriu com aqueles dentes enormes, tive que mentir. Falava tão gostoso do mar, do cilindro de oxigênio. Ai que falta de ar. Preciso parar de fumar, meus dentes estão amarelos. Falava das viagens. Não pude resistir. Falei daquele bendito curso de mergulho que jamais fiz.  Na verdade, nado mal pacas! E agora??!!! Ela gostou do assunto de mergulho. Vou ter que decorar o nome daqueles instrumentos pesados. Vou falar do meu doutorado ou da minha primeira viagem à Itália? Não, é melhor pedir um copo de saquê quente. Assim, podemos ficar em silêncio por um bom tempo. Ontem, ao telefone, ela me disse que o silêncio é bem confortável. Lembrou até de uma cena do filme Pulp Fiction quando Uma Truman falou do tal silêncio. Ela é gostosa. A Uma também. Ela é charmosa, deve ter muito homem na parada. Mas eu posso, afinal, estou fazendo doutorado. Ela gosta de literatura, eu já li alguns clássicos. Temos muito em comum, talvez.  Ás vezes, ela parece inteligente, mas tão insegura. Ishhhhhhhhh! Estou concordando muito com ela. Melhor ser mais intransigente, mulher gosta de opiniões fortes e difusas. Acho que estou sendo taxativo. Ela é tão única, sem comparações.  A mão dela é tão pequena, frágil – vontade encaçapá-la entre meus dedos. É estranha: enigmática e transparente ao mesmo tempo. Seus lábios brincam  devagar como se estivesse soprando o ar. Que brincadeira!

Ai, minha voz! Ela tem que ser forte e doce simultaneamente. Efeitos de voz rouca e sexy saindo, é para já!!! Ai que vontade de comer uma sobremesa. Não é melhor, não,  engorda. – Garçom, por favor, um sorvete com calda de chocolate. Vou mostrar que não estou nem aí, que não saio por aí contando caloria.

Ah! Como eu queria ir para cama com essa mulher. Ela deve se entregar de verdade. Será  que ela está gostando do meu papo? Não quero bancar o historiador, cheio de datas e fronteiras.

Tenho que fazer esse sorvete parecer mais gostoso, misturar mais devagar a saliva da minha língua no creme branco. Ele vai olhar! Pronto. Olhou! Será que ele me deseja? Eu quero transar com ele, mas tenho medo dele não me ligar mais. Eu o quero agora, mas vou fingir que não quero o corpo dele dentro do meu. Ele é legal, culto, não é bonito. Tem umas manchas nas mãos, os olhos são arregalados demais, e a boca muito pálida. Ele fala meio fanho, mas até que é bonitinho.

Ás vezes ela me parece individualista, quase egoísta.  E que resposta foi aquela? Perguntei por que ela não tinha namorado no dia dos namorados. Ela respondeu que não consegue gostar de ninguém. Aposto que ela está com medo de se entregar com vontade. Também teria. Ela é meio convencida, na verdade, nem gostei tanto dela assim. Ela é muito convencida, mas que boca ela tem!

Vou falar que quero ir embora, que está tarde e tal. Que vontade de beijá-lo.

 Chegamos ao prédio dela. Que beijo gostoso. Ela suspira durante os amassos, será que não vai me chamar para entrar?

Parece que ele está  despedindo de mim, tão rápido o beijo dele, mas quente. Olhar estranho, não sei o que é. Ele quer o mesmo que eu? Não quero ir embora, mas não quero adiantar as coisas. Ai, essa mão na minha coxa, bem que ele podia subir os dedos um pouco mais.

Plaft, Plaft (barulho forte de portas do carro se fechando).