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A síndrome do bonzinho

janeiro 25, 2010

por minissaia

Eu sei que já escrevi sobre a maldade que a maioria das mulheres faz com os bonzinhos. Sobre como vivemos exigindo disponibilidade, mas quando a temos, acabamos abusando do cara ou até maltratando-o. Resolvi bater na mesma tecla de novo, porque, recentemente, tenho reparado que, de fato, as mulheres modernas, fortes e independentes têm valorizado cada vez mais os homens um pouco durões, indisponíveis e teimosos. Não é o caso de querermos homens abusivos, conservadores ou ‘tóxicos’.

Mas acho que toda mulher que passa por um namorado que sempre concorda ou que sempre cumpre nossas ordens ou que sempre abaixa a orelha quando berramos, acaba querendo um cara que a desafie, que a surpreenda. E a melhor forma de surpreender uma mulher é não fazer o que ela estava esperando na hora em que ela estava esperando. Este texto, porém, não vai explorar a perspectiva feminina do caso, mas tentar compreender e ajudar o outro lado: o dos meninos bonzinhos.

Um dos aspectos mais intrigantes do bonzinho contemporâneo é o fato de que ele não é necessariamente nerd, feio ou apático ao extremo. Pelo contrário, hoje, há vários gatíssimos, inteligentes e independentes rapazes que acabam entrando no padrão bonzinho-que-um-dia-é-largado. Por que isso acontece com eles? Simplesmente porque foram criados acreditando na importância da comunicação no relacionamento, na importância de valorizar a mulher e respeitar seus desejos. Eles se esforçam para sempre aceitar a vontade feminina e, mais, sempre acatar todos os seus pedidos, acreditando que, assim, estarão contribuindo para o relacionamento, e sendo homens verdadeiramente modernos e à vontade com uma postura mais feminista.

 O que esqueceram de avisá-los é que os desejos femininos e sua vontade de comunicação nem sempre são coerentes ou mesmo válidos. Somos muito hormonais e emotivas para sempre termos um tema super relevante e equilibrado para discutir. Às vezes provocamos discussões no namoro só pra desabafar, para brigar, para despejar nossa TPM em alguém. E como o bonzinho se sente na obrigação cavalheira de se manter por perto nesse momento, ao invés de soltar um ‘quando você tiver algo válido para falar, me liga’, acabamos inundando o pobrezinho com comentários maldosos e nem sempre verdadeiros a respeito de nossos sentimentos, desejos e vontades dentro do relacionamento.

 O erro do bonzinho é não saber quando parar de dar corda para a neurose feminina. Essa corda que a mulher vai pedindo é a mesma que ela usa para enforcar o namoro no final. Parece cruel, parece machismo, mas, vai por mim, tem muita, muita mulher que namora um bonzinho para se fortalecer até encontrar um cara que ‘a ponha no seu lugar’, através de menos disponibilidade, menos DR, menos corda para nossas paranóias, ciúmes, TPMs e hormônios. O cara foda não precisa ser um crápula.

 Faço questão de frisar isso. Mas é que ele sabe ou pelo menos finge saber a hora de parar de atender aos pedidos femininos, pois estes podem ser intermináveis. Nós somos gulosas emocionais. Enquanto nos ouvirem, nós falaremos. Enquanto nos atenderem, nós exigiremos. Enquanto nos idolatrarem, nós vamos aproveitar a massagem no ego. O problema é que este estilo de relacionamento cansa a mulher depois de um tempo. E aí que o pobre do bonzinho, compreensivo, atencioso e excessivamente disponível e carinhoso, toma um pé na bunda. Rapazes, vocês não serão menos cavalheiros se soltarem um ‘não, não vou fazer isso por você, porque isso não é relevante para nosso relacionamento’.

Vocês não serão machistas por tentarem afrouxar a coleira que se deixam colocar para provar sua fidelidade. A mulher não sabe valorizar o cara disponível demais, porque, infelizmente, somos treinadas a testar o amor de um homem o tempo todo, por conta dos eternos padrões sociais de ‘todo homem é galinha’, ‘nunca confie num homem’, ‘só casa quem sabe botar freio no homem’. Não é nossa culpa, mas também não é culpa dos bonzinhos. Uma mulher gosta de tomar um forinha de vez em quando. Principalmente aquelas que passam o dia inteiro mandando no trabalho, na empregada, nos filhos, enfim, comandando a própria vida com pulso de ferro e ensinando os outros o tempo todo. Sentimos uma necessidade de uma insegurançazinha aqui, outra ali (nada de exagero!), para nos mantermos motivadas e interessadas no relacionamento.

Precisamos de um cara que diga ‘eu vou fazer do meu jeito’ ao invés de um que sempre acha que estamos certas. Não há nada de errado em dispensar uma DR na época da TPM. Muito pelo contrário. Dependendo da TPM, isso é questão de bom senso ou até de sobrevivência. Pensem nisso

Comigo é todo dia

setembro 25, 2009

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(por saia justa)

Em meio ao barulho dos teclados sempre tem a “conversa”. E numa dessas alguém diz “para seu governo dou três por dia, cara, e fumo!” –E isso é muito? Levanta o Mário com o jeitão carioca. – Comigo é todo dia.

Cara de espanto, a mulherada de olho, fixando bem os olhos nos olhos do gabola para não escapar a olhadela de conferência do volume. Assunto que também entrou em pauta, o tamanho. Uma garota até ousou dizer que o que importa é a performance, não o tamanho. “Você está sendo delicada”. “Ela está é afim de que um deles tenha coragem de sair com ela, tão compreensiva”, revidou baixo uma naja para outra. Ambas verdes com o assunto.

Não estou me gabando de tamanho, estou dizendo que lá em casa é todo santo dia. Acordou, pimba. Daí, na sexta-feira é até dobrado. À noite, uma cervejinha, linguiça frita, vermelhinha, conversa vai, vem.

Vem com essa, Mário! Na nossa idade não é assim não! E além disso, com a mesma mulher, é ainda pior. Tu tá com essa nova aí, a que veio do Rio, cheia das manhas, não se conhecem direito, por isso está assim. Deixa a novidade acabar!

Rapaz, é questão de uso. Não gasta, mano. Se tu vai só de vez em quando,  até  esquece. Olha, diz o de segunda, quarta e sexta, na minha idade, se eu pegasse uma estagiária dessas, linda, vinte anos, aí meu rapaz, passaria um mês em Las Vegas, voltava na miséria, nos dois sentidos, jogar e transar com uma mulher dessas, linda, podia até morrer. Podia até usar Viagra, só para da uma ajudazinha. Mas essa tua aí não é nenhuma garota.

Nunca tive problema, diz o velho Mário, nova, velha, continuo o mesmo; tenho culpa? Agora vocês vão ficar com raiva de mim, é? Calados, cabeça baixa, olhando o dito cujo??!! Olhando de rabo de olho para as estagiárias, lembrando da mulher que acabou de desligar o telefone depois de desfiar problemas, ou lembrando a noite passada, com uma das funcionárias?

 Enquanto todos riam excitados, fingidamente envergonhados, nem notavam os olhares que corriam uns para os outros, outros para uns, como alarmes. Soou o alarme. Aproveitem!

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 O que passava na cabeça daqueles outros homens; e as mulheres? Mediam o cara, mulher pensa logo, será que vale a pena ter um atleta desse na cama e não conseguir entabular nenhuma conversa, depois do orgasmo destruidor? E se aquela história for “apenas” por cem gramas de lingüiça, para que levar o porco todo? E todo o resto será que não é importante? Reflito enquanto a  conversa descamba: lisinho, brilhante, usado, muito usado. Mário olha as mais velhas, se gaba, “nem lembram mais o que é isso, poxa!” Até que causou um certo frisson na sala, será que alguém pensou que depois dos cinqüenta não pintaria um demi bombée? Pintou alguma tristeza também porque a fantasia  alimenta muito mais que a realidade. O jogador de Las Vegas não tocou mais no assunto, seu assunto preferido. “Acho que muitas olham de rabo de olho quando o carioca desfila.” Verdade ou não, quem confere? Afinal, devido ao machismo, se alguma delas se aventura, no trabalho, com homem comprometido, e ousa tecer comentários a respeito do sexo, a resposta é unânime vinda do corporativismo masculino: é puta, cara, piranha. Não liga, não!