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Pega no meu Peru?

dezembro 6, 2009

 

(por saia apertadinha)

Ele tinha uma sunga goiaba. Mas não a usou para ir à praia. José Eduardo jogou um roupão branco por cima do corpo magro, colocou a touca de borracha speedo e os óculos de natação.  E assim, meio Gustavo Borges do cerrado, foi à festa a fantasia da Marcinha. Duas horas depois, estava no meu carro (mas vamos deixar essa parte para mais tarde). Dançou o bonde do tigrão abrindo sua capa de super-herói aquático “Eu quero pegar alguém”. Entre um pancadão e outro, o roupão se abria e deixava à mostra a marca na sunga deixada pelas repetidas idas ao banheiro.  Culpa da Cerveza Sol.  E a Sol aparecia! Agora já era o Zé para os mais íntimos. O Zé Gotinha!

Mesmo assim, ele foi parar no meu carro. Ele com uma garrafa na mão, eu com gosto de limão após muitos mojitos. Falamos da gripe suína, concursos públicos e, claro, no bonde do tigrão.  Ele se sentia o máximo naqueles trajes, eu escondia um pneuzinho aqui, outro ali, me virava. Carro ligado, momento da despedida. (Pesquisa recente, de alguma faculdade recente, de uma cidade recente, revela que intelectuais, punks, emos, roqueiros, engravatados, atletas, mascarados, lontras, capachos, filhinhos de papai e traumatizados dão o bote neste momento lúdico e criativo. Momento “É agora ou nunca”. Que falta de imaginação!).

Beijo molhado. Pausa para cena do beijo: Minha mão segura a nuca de silicone das cordas dos óculos de natação. A mão dele desce para um lugar onde não tenho silicone. Até aí tudo bem.  Normal! Mas, de repente, ele para, suspira profundamente, e diz:

– Loucura, loucura, loucura!

Assim mesmo, a mesma frase que o Luciano Huck fala todos os sábados na rede Globo. Volta o beijo. Para um pouquinho e mais:

–Loucura, loucura, loucura!!!!

Nesse momento, a carência feminina até puxou o senso de ridículo para uma conversa num canto bem escondido da razão, mas foi avacalhada pelo álcool. O beijo continua e a mão também. A visita ao Caldeirão só é interrompida por um cândido pedido e uma abrupta retirada do boto cor-de-rosa da sunga:

– Pega no meu peru! Vai pega, pega no meu peru! (O que aconteceram com palavras tão sonoras e gostosas como caralho, cacete, vara, geba, tora?)

Não deu, soltei uma gargalhada. Tudo bem que era festa à fantasia. Mas aquele nadador teria que afogar o ganso ou o peru bem longe dali.

Glu-glu! Beijinho, beijinho e ciao pau! Loucura, loucura, loucura!!!!