Archive for the ‘saia emprestada da irmã’ Category

Dá para o titio

janeiro 20, 2010

(Por saia empresatada)

Mordeu o umbigo de Viviane e desceu lentamente o trajeto com o bigode de ator de filme pornô dos anos 70. Ela virou os olhinhos, enquanto empurrava a cabeça de Rodolfinho com pressa para entre suas pernas. Ele entendeu o recado, desceu mais um pouco a língua, os olhos, e resolveu ficar ali, olhando, ou melhor, encarando aquela nova amiga, a Sebastiana – nesse momento o moço já havia batizado a pobre e indefesa buceta (nada de boceta com o, por favor! Com u é muito mais gostoso).

Fitou com cara de lesado o fundo da alma de Sebastiana e soltou um suspiro. Depois, com uma voz de criança, preparou a artilharia brochante:

– Fala pro titio o que você quer. Titio dá, dá, dá tudinho! Tudinho para naninha.

Viviane afundou-se como um molusco no travesseiro Nasa. Com dó de si mesma, quis viajar para outro planeta. Mas hesitou, olhou para as pantufas do moço debaixo da cama e, com pena ou sei lá o quê, decidiu apenas estar.

A conversa continuou sem indícios de onde tanto lero-lero ia dar, ou melhor, não dar! – O Titio não tá ouvindo nada! Dá língua para o titio, não! Que coisa feia, menina! (referindo-se aos pequenos lábios da mulher).

O pior é que o chat com a buceta estava apenas começando e o que, à primeira vista, era apenas um monólogo com a vagina, se transformou em um papo doce e sufocante:

– Naninha quer pirulito?

Vozinha do ventríloquo de Sebastiana: – Quelo! (comendo o R) De molango!

Louca para que (sua) Hitler aniquilasse aquele bigodinho sonso, deu mais uma chance para o rapaz e entrou na brincadeira: – Quero pirulito, lingüiça (não trema na lingüiça), salsicha! Só não enguiça nem embaça!

Foi aí, que Rodolfinho soltou um pedido de silêncio bem gelado: – Shiiiii!!!!!!!!!!!!!! (Confúcio estava errado quando disse que “O silêncio é um amigo que nunca trai”).

Viviane, perplexa, deu um pulo na cama e quis saber que “putaria” era aquela: – O que tá rolando aqui?

–Não vê que não estou conversando com você! Meu papo é com a Naninha, respondeu.

Aquilo era pedofilia das brabas com a buceta de Viviane, que nunca tinha presenciado cena tão patética em toda sua longa vida. – Vou embora agora, credo, você é um louco, pervertido! Apanhou as roupas espalhadas no chão do quarto dele, vestiu a sua calcinha com a estampa da She-ra para se proteger e foi nessa!Deixou o doido falando sozinho.

Amigos, sugestão: Se forem colocar apelidos carinhosos nas ditas cujas esperem a intimidade, o tempo se encarregará disso. Ah, a Viviane quer ser apresentada ao He-man e ela é todinha do bem.

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Vida de merda (VDM)

janeiro 10, 2010

por saia emprestada

Depoimentos de pessoas que têm uma vida de merda (VDM):

“Hoje eu e meu namorado estávamos fazendo sexo anal e eu pedi para ele parar porque meus braços estavam formigando (eu estava de quatro). Ele disse: “Tudo bem, sei como é”. VDM” É a sua vida é uma merda… (612) – Você mereceu (29)

“Hoje, depois de muita insistência, deixei meu namorado gozar na minha boca. Agora ele está com nojinho de me beijar. VDM”É sua vida é uma merda (837) – Você mereceu (259)

 “Hoje meu namorado escondeu o pinto no meio das pernas e gritou “Bucetinha!”. VDM” É a sua vida é uma merda… (600) – Você mereceu (59)

Hoje falei que queria dar pro meu namorado e ele me mandou ler conto erótico. VDM. É a sua vida é uma merda… (1012) – Você mereceu (95)

 Você tem apenas 140 caracteres para contar a maior merda do seu dia. Um pequeno espaço para compartilhar  desgraças inusitatas  que detonaram seus mísiros minutos. A única exigência é que as histórias sejam engraçadas.Essa é a proposta do site vidademerda.com.br. O público avalia, a partir do seu cômico relato, por exemplo, se sua vida é uma merda e se você mereceu. Confiram, vale muito a pena rir dos nossos tropeços cotidianos. Mas rir da vida de merda dos outros é ainda melhor. E aí? Você tem alguma história para contar?

http://vidademerda.com.br/

Amor avesso

novembro 10, 2009

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(por saia da dolores)  

Acordei com ele me fuçando por trás como nunca havia feito antes. Decerto alguma coisa muito grave havia se desprendido de seu passado, pois aquela leveza não era comum. Seu rosto de menino deslizava sobre minhas pernas e parava seguidas vezes até que eu pudesse sentir o calor da pele. Fiquei quieta todo o tempo. Achei que não saberia retribuir aquela ternura subitamente descoberta. Sua respiração quente entre as coxas ascendia um fogo líquido que devia ser contido e prolongado o quanto pudesse.

  Percebi que, de certo modo, ele chorava. Seus olhos estavam quentes e úmidos e seus lábios tão secos que aderiam à pele.  Seguidas vezes ele me lambeu por trás e eu senti um corte na alma por não saber reagir. Fiquei quieta todo o tempo, mas ele sabia que eu acompanhava cada movimento. Os músculos tremiam e repousavam, como se não soubessem se comportar. Aos poucos foram descontraindo. Senti minha pulsação aos saltos ali atrás. Parecia que queria retribuir os beijos que recebia. Foi quando não me contive mais e comecei a mexer vagarosamente com os quadris.

Ele apertava os lábios como se fosse me comer com a boca.A cada movimento, eu me erguia mais e me oferecia inteira aos seus beijos. Suas mãos subiam e desciam pelas coxas e pelas costas. Seu rosto subiu beijando e lambendo até o pescoço. Apertou os bicos dos seios e começou a penetração. Lenta e pausada, dolorosa e apaixonante. Senti a dor se espalhando como uma mordida por dentro. Cada movimento do corpo aumentava a penetração fazendo a dor ressurgir e transformar-se em prazer dilacerante. Sentia-me surrada ao contrário, amada ao avesso, lambida por dentro. Era como se quisesse beijar-me a alma e por isso tentava sucessivos mergulhos alucinados. Em tudo eu era cúmplice. Ergui os quadris e comi-o com gula, com uma fome insaciável. Gritei e comecei a gemer.

 As lágrimas brotaram no meu rosto. Ficava quieta para senti-lo deslizando para dentro e para fora. Depois me contorcia nas entranhas e gemia. Ele me puxava pelos quadris, com força, contra seu colo. Debruçava-se beijando as costas, primeiro vagarosamente, depois forte até morder espalhando a dor. Minhas lágrimas se desprendiam até arrancar soluços. Percebi que estava expulsando fantasmas que me acompanharam desde a infância. Fantasmas celibatários que agora se desmanchavam em lágrimas inofensivas. Expulsos pelo pecado. Ruborizados e impotentes fantasmas da infância. Soubesse antes o que suas máscaras ocultavam e já os teria enfrentado desde o primeiro dia.

 Chorei pela descoberta do prazer irradiado do ventre para os extremos. Pelo despertar do impulso animal que supera o medo. Pelo pecado que criei e que haveria de transformar-me continuamente. Chorei, gritei e amei até que ele explodisse percorrendo-me por dentro. Até que seu corpo desmoronasse em febre. E senti um amor doce e moreno, tão intenso e avesso que desconhecia os limites do medo.

Síndrome do Salvamento

novembro 3, 2009

GRVIDA~1

(por saia de bolinha)

O ônibus despejou aquelas miniaturas de gente na entrada do colégio. No mesmo momento, a gorda Janira, para limpar as vidraças sujas, equilibrava-se em um dos pedestais antigos do prédio da escola. Elvira, uma menina de apenas oito anos, ficava imaginando coisas. Fazia perguntas que ninguém gosta de responder. Depois do silêncio e do eco dos seus questionamentos, desfazia alguns cachos presos por presilhas coloridas e, sozinha, solucionava seus enigmas infantis.

– E se a Janira cair, tem chance dela não morrer?

– Ah, já sei, anjos vão descer dos céus, eles já fizeram isso antes. Eu vi.

Os meninos espalhados no pátio riam.

Elvira continuava a olhar Janira enquanto o sininho da diretora Cici tocava. Aquele era o aviso de que todo mundo do mesmo tamanho tinha que fazer uma fila antes de entrar na sala de aula. Enquanto meninos e meninas atropelavam–se para pegar os melhores lugares, Elvira não ligava de ficar na última posição.

Na sua cadeira, na sala de aula, enquanto os outros alunos desenhavam aviões, dragões e fábricas com chaminés e suas fumaças, Elvira gostava de debruçar a cabeça no colo e ficar criando estórias. Mergulhada em sua imaginação, afirmava que podia escutar árvores pedindo socorro dentro da madeira maciça em que o corpo se apoiava.

05_10_criancas

Os professores, o vigia da escola, seus colegas de classe, todos a olhavam como se ela não se encaixasse naquele mundo. Elvira era mesmo diferente. Tinha um pescoço grande como o da avó. Seus cabelos às vezes acordavam lisos, outrora, cacheados. Sardas apinhavam no seu rosto, mais concentradas em uma bochecha que na outra. Mas os olhos eram como os das crianças na sua idade: querem ver tudo, as pupilas dilatavam-se para observar as coisas que os adultos acham saber.

Em casa, Elvira preocupava os pais. Não sabiam o que havia de errado na educação da filha. Elvira tinha a síndrome do salvamento. Mas, infelizmente, a psiquiatria ainda não sabia disso. Enquanto a empregada Maria José varria os cômodos, a garota sardenta a seguia. Conformada com as maluquices da menina, achava que a coitada só queria um pouco de atenção ou gostava de ouvir as músicas que trouxe consigo lá daquela cidade enterrada no meio do mapa.

Após a limpeza, Elvira abria o latão de lixo e catava tudo que achava triste ali dentro. Palitos quebrados, pacotes amassados. Em seu armário, o entulho ganhava lugar de destaque na prateleira, debaixo de suas roupas quentinhas. Tinha pena daquelas coisas serem descartadas assim sem mais nem menos. Precisava salvá-las. Ela se lembrou, em uma das suas inúmeras noites de insônia, que um anjo sem asas havia lhe dito que tudo tem alma no mundo: as plantas e os animais, por menores que sejam. Até os parasitas e o lodo que fica na cachoeira da fazenda da roça têm seu encanto de eternidade.

Enquanto isso, seus brinquedos novos continuavam intocáveis em dois baús grandes em uma estante de mogno claro embutido. Nem seu pequeno piano ganhava sua atenção. Elvira só gostava daquilo que dava dó.

Na rua olhava bem fixa para o chão, não queria pisar bruscamente em nenhuma flor vertical, em nenhum inseto piedoso fazendo o árduo caminho ou nas formigas suportando pedaços de folhas dez vezes maiores que seu peso. Os seus pés andavam delicados no caminho do dia-a-dia.

Aparecida (Formiga carregando 3 biscoitos !!!)

Elvira cresceu e as esquisitices de querer salvar o mundo também. Primeiro foi o lixo, agora era a vez dos pobres animais receberem seu socorro. Aos 13 anos, quase não conversava com ninguém. E quando o fazia era apenas para fazer perguntas incômodas. Passava a maior parte do tempo com os cães e gatos que havia recolhido na rua – muitas vezes esses apareceram do nada em sua casa, em caixas de papelão. A sua mãe não gostava de contrariar as caridades da filha única. Pobrezinha. A fama de Elvira havia se espalhado pelo bairro. Sempre tinha mais um lugar no canil para um belo vira-lata. As aves feridas pareciam reconhecer o caminho e voavam sempre para o pátio cinzento que Elvira cobria com grãos de arroz.

A analista de Elvira, uma tal de Márcia, não conseguia responder as interrogações da garota, que mais tarde acabaram virando suas próprias indagações. Tantas questões: os famintos na rua, os palestinos sem pátria, os brasileiros sem pátria, os moleques que rodeavam as montanhas de lixo, a camada de ozônio, os peixes atolados em manchas de óleo… os…

Aos 16 anos, virou ativista do Green Peace; salvou baleias. Mas não bastava… O mundo todo precisava ser curado e ela era só Elvira, a esquisita. Não dava para salvar formigas. O próprio ecossistema necessitava de aniquilamentos mútuos para a própria existência, a tal da cadeia alimentar, os hipopótamos que matavam seus filhotes, a própria seleção natural de Darwin: tudo fazia tanto sentido.

O mundo todo estava doente, mas não era sua culpa. No seu armário, ela só conseguia guardar papéis velhos e sonhos. Não podia salvar o mundo. E um belo dia descobriu isso. Não se revoltou contra Deus e o mundo imperfeito, as injustiças. Passou a ser que nem todo mundo. Acordava, planejava ter uma profissão e à noite freqüentava a mesma igreja da mãe. Escutava atenta as palavras do pastor. Não era mais esquisita; tornou-se mundana. Com a bíblia debaixo do braço, não pensava em salvar mais nada, apenas a sua alma.

Quantos homens tem na sua lista?

setembro 21, 2009

lista

(por saia emprestada da irmã)

Lista de presentes de casamento, lista de convidados, lista de compras no supermercado e lista de homens. Sim, as mulheres fazem listas. Gostamos de colocar as coisas enfileiradas, organizadas e com um número na frente, de preferência. Simples assim? Nem tanto. Principalmente, quando o assunto é passado numérico-sexual.

Nesse tipo de complicada lista o que mais me chama a atenção não é a quantidade de itens (quantos maridos, ex-namorados, namorados e amantes já vieram com essa paranóia de nos perguntar com quantos caras transamos?), mas sim a categorização dada aos valiosos números.

Conversando com algumas amigas, me dei conta de que existe uma divisão criteriosa que enumera de qualidades físicas e intrínsecas do ser humano a notas dadas ao desempenho. Comissão de frente: 10! Bateria: 5,5! Haja tópicos! Uma amiga me contou que tem um esquema básico para sua classificação (tudo bem! Parece que estamos falando de uma tese de doutorado, mas o assunto é de tamanha ou maior importância). De um lado o nome das “vítimas” ou dos “algozes”; do outro, apenas três sinais (tudo bem simples e racional): + (quando a refeição foi completa, com direito a sobremesa), (quando rolaram apenas um beijo e uns poucos amassos ) e + ou – (mão naquilo, aquilo na mão, boca naquilo e aquilo na boca).

Uma conhecida é ótima fisionomista, mas não é muito boa com nomes. Para ela, o mais prático foi fazer certas descrições ao invés de tentar lembrar se o fulano era Ronaldo, Rogério ou Roberto. Sua lista parece o jogo Cara a Cara da Estrela: careca, cavanhaque, barbicha, entre outras características envolvendo cabelos. Outra categorização possível, para as mais esquecidas, é o nome do local do ato: escada da faculdade, casa da Betina, show do Ultraje, Fiat 147 e por aí vai.

Em uma reunião na sala de cafezinho da empresa, surgiu o assunto. E foi assim que duas colegas mais novas, ambas com 26 anos, me fizeram ter vergonha dos meus cálculos. Uma delas cantou a primeira pedra: acho que são 7. A casada falou com uma voz meio “sou quase virgem”: – Pôxa, foram só dois, contando com meu esposo. Resolvi falar o número 20, sabendo que se dissesse 22, seria rechaçada da vida social do cafezinho. Para não ficar sem graça, falei: – mas não desanimem, não! Vocês ainda podem alcançar o topo da lista, quem sabe neste fim de semana mesmo, né?

Fiquei com a pulga atrás da orelha. Será que o meu passado sexual era muito agitado? Fui consolada por duas amigas da mesma idade que falaram 40 de cara! Uma delas ainda falou que a lista era pequena porque ficou casada com o Hélio por sete anos. Sei que comparações não são bem-vindas, cada ser é único e suas necessidades também, mas fiquei aliviada. Ah! Estou sem saber se aquele último cara que fiquei entra para a posição nº 22, é que ele não deu conta do serviço.

PS: Ainda não foi inventada (ainda bem!) uma lista para enumerarmos nossos sentimentos em cada uma dessas transas, nem os batimentos cardíacos à espera daquele encontro que rendeu a investida nº17, nem os cheiros deixados em nossa roupas, nem as vezes que esperamos ansiosas uma ligação ou fugimos dela no outro dia. Não existe lista nem tópicos para os choros na madrugada adentro, as decepções e nem as rapidinhas que se tornaram eternas. Talvez exista um símbolo matemático, talvez, que colocaria nessa lista: ∞. E só.

*texto já postado em outro blog