Archive for the ‘saia apertadinha’ Category

Saquinho de jujubas

dezembro 30, 2009

(por saia apertadinha)

Hábito, bem que você podia ser um saquinho de jujubas bem sortidas. Assim, não me prenderia em horários fixos, em planejamentos mancos. Hábito, você não tem o direito de brincar com o infinito.

Não sei criar hábitos, me enraizar. Gosto quando o vento bate em minhas folhas, me levando para cá e para lá.

Segunda-feira, acordo com vontade tomar coca-cola e durmo vendo filme noir.

Terça-feira, capricho no café da manhã e cismo em tomar chá verde, chá de mil ervas para emagrecer. À noite, separo meus livros preferidos para com eles me deitar.

Quarta-feira, acordo com a sensação de que estou velha, preciso me exercitar. Água Mineral, nadadinha, corridinha, nada mal. Vinte minutos depois estou lá, com um milho na mão e pernas para o ar.

Quinta, ressaca moral, falei mal da minha vida para o namorado do meu ex. Quero escrever poesia, mas desisto em distração ao ver meus cães correndo atrás de um pombo no quintal. Escuto ACDC, The Clash e Roberto Carlos. Falei que não ia farrear, amanhã acordo cedo, tudo bem, vamos lá! Dança tango eletrônico e me acabo na mesa de um bar.

Sexta, quero provar um queijo novo, me inscrevo na aula de pintura, tranco a dança flamenca. À noite, faço brigadeiro e choro de soluçar.

Sábado, quero ser voluntária, parar de pensar em mim, ajudar crianças. À tarde, ir ao shopping, esquecer que existe dia e noite. Ao sair, me assustar com aquele luar.

Domingo, tenho saudades da família. Só me resta recomeçar. Mais uma semana. Hábito, por que você não me ensina a deixar de querer não sei o quê. Deixa para lá!

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Natal do Tio Sam

dezembro 11, 2009

 

(por saia apertadinha)

Luzes de todas as cores e tamanhos. Pinheiros que não existem no Brasil, mas você pode encontrar logo ali nas Lojas Americanas. O algodão que insiste em ser neve. As sales dos shoppings e do centro da cidade também. O pirulito da Praça Sete vai estar todo enfeitado. Que originalidade! As casas estarão enfeitadas, mas não vão participar de concursos em Beverly Hills. É natal! Nasceu o menino Jesus!

É natal! Você pegará uma cartinha de natal dos Correios. E vai descobrir que as crianças estão pedindo novos brinquedos: laptops, celulares. Ai que saudade do tamagoshi!  Seu patrão vai te dar mais uma cesta padronizada, correndo o risco de trocar seu nome no cartão. Você vai ganhar um cartão musical e ainda vai agradecer. Papai noel, ou melhor Santa Claus, talvez apareça por aqui se o seu trenó tiver placa ímpar na noite do dia 24. As meias estarão nas chaminés, mas não haverá chaminés.

É noite de natal! Jesus Christ!O especial da Xuxa vai passar novamente. Ufa! Que tranquilidade! O cheiro de rabanada vai infestar a casa, mas o panetone não vai ser caseiro. Ele virá em uma linda caixinha americana com gotinhas de chocolate. Iremos celebrar. Quebra-nozes!

A mesa estará farta. E as portas fechadas, temendo que alguém peça comida numa hora dessas. Todo mundo terá medo de não estar feliz nessa noite. E para estar feliz aqui é preciso esquecer que tem gente lá fora morrendo de frio e fome, esperando para catar as migalhas da ceia.

Ser feliz será acreditar que se Deus é brasileiro, Jesus é americano. Happy Christmas!!

Pega no meu Peru?

dezembro 6, 2009

 

(por saia apertadinha)

Ele tinha uma sunga goiaba. Mas não a usou para ir à praia. José Eduardo jogou um roupão branco por cima do corpo magro, colocou a touca de borracha speedo e os óculos de natação.  E assim, meio Gustavo Borges do cerrado, foi à festa a fantasia da Marcinha. Duas horas depois, estava no meu carro (mas vamos deixar essa parte para mais tarde). Dançou o bonde do tigrão abrindo sua capa de super-herói aquático “Eu quero pegar alguém”. Entre um pancadão e outro, o roupão se abria e deixava à mostra a marca na sunga deixada pelas repetidas idas ao banheiro.  Culpa da Cerveza Sol.  E a Sol aparecia! Agora já era o Zé para os mais íntimos. O Zé Gotinha!

Mesmo assim, ele foi parar no meu carro. Ele com uma garrafa na mão, eu com gosto de limão após muitos mojitos. Falamos da gripe suína, concursos públicos e, claro, no bonde do tigrão.  Ele se sentia o máximo naqueles trajes, eu escondia um pneuzinho aqui, outro ali, me virava. Carro ligado, momento da despedida. (Pesquisa recente, de alguma faculdade recente, de uma cidade recente, revela que intelectuais, punks, emos, roqueiros, engravatados, atletas, mascarados, lontras, capachos, filhinhos de papai e traumatizados dão o bote neste momento lúdico e criativo. Momento “É agora ou nunca”. Que falta de imaginação!).

Beijo molhado. Pausa para cena do beijo: Minha mão segura a nuca de silicone das cordas dos óculos de natação. A mão dele desce para um lugar onde não tenho silicone. Até aí tudo bem.  Normal! Mas, de repente, ele para, suspira profundamente, e diz:

– Loucura, loucura, loucura!

Assim mesmo, a mesma frase que o Luciano Huck fala todos os sábados na rede Globo. Volta o beijo. Para um pouquinho e mais:

–Loucura, loucura, loucura!!!!

Nesse momento, a carência feminina até puxou o senso de ridículo para uma conversa num canto bem escondido da razão, mas foi avacalhada pelo álcool. O beijo continua e a mão também. A visita ao Caldeirão só é interrompida por um cândido pedido e uma abrupta retirada do boto cor-de-rosa da sunga:

– Pega no meu peru! Vai pega, pega no meu peru! (O que aconteceram com palavras tão sonoras e gostosas como caralho, cacete, vara, geba, tora?)

Não deu, soltei uma gargalhada. Tudo bem que era festa à fantasia. Mas aquele nadador teria que afogar o ganso ou o peru bem longe dali.

Glu-glu! Beijinho, beijinho e ciao pau! Loucura, loucura, loucura!!!!

Sexo, vai rolar?

novembro 19, 2009

 

(por saia apertadinha)

E se ele souber que não estou sendo o que sou? E se sorrir meio maroto, como quem tem mais dúvidas que certezas, e ele perceber que faço gênero? Bom, deixa para lá. É melhor procurar meus documentos na carteira: carteira de identidade, carteira de estudante (mas não sou mais estudante), CPF, cartão de crédito. Ufa! Ufa! Acho que ainda resta um pouquinho de mim nesta mesa. E se ele perceber que não sou tão segura quanto pareço? Ai, meu Deus! Vou sorrir novamente. Ele gostou muito quando joguei a cabeça para trás, soltando um sorriso curto, mas gostoso, enquanto ele abria a porta do carro. Será que vai perceber que menti descaradamente? Eu não vi o filme comentado por ele. Não conhecia os atores, muito menos aquele diretor de nome esquisito – acho que era russo, pelo menos terminava em “evisk”. Balancei a cabeça lentamente com aquele sinal de positivo, ele teceu comentários da vanguarda do cinema. Deixa-me colocar a máscara no lugar novamente. Upsss! Derramei o molho shoyo. O que faço? Banco a mulher desastrada ou a fresca? É melhor a despojada, que não liga para o molho preto, escorregadio, em sua roupa branca. Piadinha de molho shoyo vem à minha cabeça, por favor! – ÔOO, garçom, me vê uma porção de guioza. Escapei por pouco! Mais um teste.

Ofereço-me para pagar a conta? Mas se ela quiser dividir? Ela é bem feminista, melhor bancar o moderno. Ah! Quando ela sorriu com aqueles dentes enormes, tive que mentir. Falava tão gostoso do mar, do cilindro de oxigênio. Ai que falta de ar. Preciso parar de fumar, meus dentes estão amarelos. Falava das viagens. Não pude resistir. Falei daquele bendito curso de mergulho que jamais fiz.  Na verdade, nado mal pacas! E agora??!!! Ela gostou do assunto de mergulho. Vou ter que decorar o nome daqueles instrumentos pesados. Vou falar do meu doutorado ou da minha primeira viagem à Itália? Não, é melhor pedir um copo de saquê quente. Assim, podemos ficar em silêncio por um bom tempo. Ontem, ao telefone, ela me disse que o silêncio é bem confortável. Lembrou até de uma cena do filme Pulp Fiction quando Uma Truman falou do tal silêncio. Ela é gostosa. A Uma também. Ela é charmosa, deve ter muito homem na parada. Mas eu posso, afinal, estou fazendo doutorado. Ela gosta de literatura, eu já li alguns clássicos. Temos muito em comum, talvez.  Ás vezes, ela parece inteligente, mas tão insegura. Ishhhhhhhhh! Estou concordando muito com ela. Melhor ser mais intransigente, mulher gosta de opiniões fortes e difusas. Acho que estou sendo taxativo. Ela é tão única, sem comparações.  A mão dela é tão pequena, frágil – vontade encaçapá-la entre meus dedos. É estranha: enigmática e transparente ao mesmo tempo. Seus lábios brincam  devagar como se estivesse soprando o ar. Que brincadeira!

Ai, minha voz! Ela tem que ser forte e doce simultaneamente. Efeitos de voz rouca e sexy saindo, é para já!!! Ai que vontade de comer uma sobremesa. Não é melhor, não,  engorda. – Garçom, por favor, um sorvete com calda de chocolate. Vou mostrar que não estou nem aí, que não saio por aí contando caloria.

Ah! Como eu queria ir para cama com essa mulher. Ela deve se entregar de verdade. Será  que ela está gostando do meu papo? Não quero bancar o historiador, cheio de datas e fronteiras.

Tenho que fazer esse sorvete parecer mais gostoso, misturar mais devagar a saliva da minha língua no creme branco. Ele vai olhar! Pronto. Olhou! Será que ele me deseja? Eu quero transar com ele, mas tenho medo dele não me ligar mais. Eu o quero agora, mas vou fingir que não quero o corpo dele dentro do meu. Ele é legal, culto, não é bonito. Tem umas manchas nas mãos, os olhos são arregalados demais, e a boca muito pálida. Ele fala meio fanho, mas até que é bonitinho.

Ás vezes ela me parece individualista, quase egoísta.  E que resposta foi aquela? Perguntei por que ela não tinha namorado no dia dos namorados. Ela respondeu que não consegue gostar de ninguém. Aposto que ela está com medo de se entregar com vontade. Também teria. Ela é meio convencida, na verdade, nem gostei tanto dela assim. Ela é muito convencida, mas que boca ela tem!

Vou falar que quero ir embora, que está tarde e tal. Que vontade de beijá-lo.

 Chegamos ao prédio dela. Que beijo gostoso. Ela suspira durante os amassos, será que não vai me chamar para entrar?

Parece que ele está  despedindo de mim, tão rápido o beijo dele, mas quente. Olhar estranho, não sei o que é. Ele quer o mesmo que eu? Não quero ir embora, mas não quero adiantar as coisas. Ai, essa mão na minha coxa, bem que ele podia subir os dedos um pouco mais.

Plaft, Plaft (barulho forte de portas do carro se fechando).

Anjos no Inferno – ecstasy

outubro 20, 2009

 

Fear and Loathing in Las Vegas

Fear and Loathing in Las Vegas

 

(por saia apertadinha)

Chequei o meu bolso esquerdo. O ingresso para uma das maiores raves anuais de Las Vegas estava lá. No porta-moeda, amarrado na minha cintura, bem acima da calcinha glow e da cigarrete prateada, cinco êxtases se camuflavam. Nevada prometia receber as maiores celebridades dos Estados Unidos, o que significava um mexilhão de perucas de todas as cores e texturas. Era a festa dos anjos no inferno.

Carros buzinavam em todas as direções, inflamadas cilindradas e, apesar de haver  luzes suficientes na cidade para “aquela viagem”, feixes de néon saíam de possantes máquinas. Na porta da versão Studio 54, de Nova Iorque, mãos e braços me chamavam para dentro da Sodoma e Gomorra.   Tomei duas pílulas de “E”, cheirei um pouco de éter e tomei um special k, uma espécie de anestésico para pessoas ou, quem sabe, até pra animais. Ou seria o contrário? Sim, era o contrário. Ele é usado em cirurgias de cavalos, né? Talvez, nessa ordem meus amiguinhos foram ingeridos. Senti estilhaços de vidro a cortar todo o meu corpo, para  depois ser massageada, finalmente, por uma navalha. O efeito das drogas…

Jonny Depp como Duke

Jonny Depp como Duke

Duas strippers de um badalado night club da cidade faziam parte da decoração, tinham asas enormes e voavam em anéis elípticos. As penugens que escapavam de seus aparatos angelicais dançavam no ritmo trance dos djs. Pelo menos na minha cabeça. Anjos malignos. Todo mundo estava de branco. Eu estava de branco. Apenas minhas pílulas eram azuis e tinham um Buda desenhado. O Nirvana deveria estar próximo.

Tomei as outras três pílulas. Um dos meus companheiros parecia  um daqueles cowboys americanos e, mesmo com uma cabeça grande, usava um ínfimo chapéu com um medalhão prateado: “Hi girls”. Let´s party! Longe de parecer anjos, meus amigos lembravam duas galinhas com aqueles casacões peludos comprados em um brechó de Hillcrest. Eram as galinhas dos ovos de ouro. Foram eles que compraram toda a artilharia de drogas para o rápido metabolismo do meu corpo. Minhas mãos não paravam de fazer tornados em suas cristas.

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A decoração da festa me ajudava a não sentir mais meus pés no chão. O corredor que nos levava à pista principal parecia o túnel do tempo. Na minha cabeça, vinham números, datas estranhas e aqueles três pontinhos que aparecem depois das frases: um ano depois…três anos depois…um século depois… Em uma outra sala bem aconchegante, tive a impressão de estar entrando na Space Mountain, uma pequena montanha russa do Mundo do Mickey.   A intenção dos organizadores da festa eletrônica era fazer os pobres e drogados mortais se sentirem no paraíso. Contudo, falharam.  Os cometas tinham caudas seculares e asteróides não paravam de colidir com a terra. Se os anjos caíram do céu, as estrelas do arsenal decorativo foi o empurrão perfeito.

Não via nada. As luzes das estrelas e o laser davam curto circuito no meu corpo. Podia beijar meu novo ficante por horas, podia transar sem relógio, apenas com aquela camiseta de seda, para sempre.  Não havia transmissão de serotonina para nenhum neurônio receptor. Minhas mãos gozavam, meus dedos tinham orgasmos múltiplos. Aquele latino!

Depois de horas de toques eternos, o chão se abriu e, por alguns minutos, vi, bem ali, minha cova. Ela parecia tão confortável quanto os braços de Carlos. A terra que jogavam sobre o meu corpo era tão fértil e fofa. Vermelho e roxo eram as cores predominantes. Enquanto estava em meu túmulo, afóbica e atônita, as pessoas dançavam, sapatiavam correntes elétricas sob meu corpo quase em estado de putrefação, ou melhor, purificação. Rosas foram lançadas, e pensar que em vida era alérgica a elas. E agora, o que importa? Vou conseguir resolver as questões filosóficas?

Tive a impressão de estar sendo sugada para a estratosfera e um calderão me aguardava. Enquanto minha viagem não tinha volta, na mesa de som cinco djs competiam com notas psicodélicas. Por um minuto, a música pareceu com a batida do coração dos anjos. Eles seriam sacrificados e suas artérias entregues àqueles djs.

Voltei ao normal, queria dançar, girar, tocar meus cabelos enrolados, agora tão lisos, estralar meus dedos, colocar todos os meus sentidos a farejar. Ou a anestesia de todos eles seria melhor?

Precisava de mais pílulas, mas o puf não me deixava levantar.   Imaginei uma cachoeira de água cristalina. Perto, um copo azul reluzindo no meio de rochas negras. Bebi muita água e nadava nela dentro do meu corpo. Minha saliva estava sólida, mas pastosa. Ela dava nós na minha garganta. Iria morrer sufocada com meu próprio veneno. Mas, de repente, consegui tirar a mão para fora do caixão.

A festa estava vazia, nenhum rosto conhecido por perto. Vassoras gigantes começaram seu trabalho, lixo em todo lugar. Para estar em Las Vegas é preciso nascer e morrer todos os dias.

Confiram informações sobre o perigo de  uma balada regada à ecstasy no link: http://psyte.uol.com.br/aspx/redacao/textos/texto.aspx?seq=126

Sobre o assunto, recomendo o filme de Terry Gilliam e o livro de Hunter Thompson “Fear and Loathing in Las Vegas” (Medo e Delírio em Las Vegas).

Praia de nudismo e os homens acocorados

setembro 16, 2009
 

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  (por saia apertadinha)

 – É, vamos! Vai ser diferente!

Topamos! Afinal, nosso amigo grego garantiu que muita gente ficava de roupa. Eu, Ju e Silvinha peladinhas, imaginem só! Nem pensar! O caminho para Black´s Beach, uma das maiores praias de nudismo dos Estados Unidos, parecia o corpo da Ju, muitas curvas. Já a trilha de uma hora de caminhada parecia a perna da Silvinha, cheia de buraquinhos. Bem, as moitinhas verdes enterradas naqueles cliffs amarelos lembravam muita coisa, muita coisa mesmo. Entre gritinhos eufóricos, o sol insistia nas minhas bochechas, agora vermelhas, e nem eram ainda de vergonha. A descida íngreme significava que a subida seria de amargar.

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Na base do penhasco, o mar estava salpicado de surfistas. Como um guardião da porta da praia, um homem de cabelo comprido e piercing no pau fez as boas-vindas com seus dois chicotes de couro em ziguezagues no ar. Outros pintos moles surgiram e desfilaram na areia quente. Procuramos um lugar ali perto, estendemos uma de nossas cangas, um bom ímã de pau: a bandeira brasileira. Com biquínis modelo exportação nos esticamos sob o azul celeste e o ouro abundante. Os óculos escuros ajudavam a acompanhar o vai e vem de peito caído, silicone aprumado, peito durinho, bunda, caralhos PP, P, M, G, GG.

Em ondas de até 10 pés, peladões se equilibravam, deslizavam, davam cambalhotas, dropavam, faziam 360º. Na areia, mulheres fincavam suas grandes pranchas, marcando território. Um grupo de universitários de La Jolla se dividia entre frisbee e tambores. Tudo balançava: o mar, os peitos. Outras bundas se afundavam em castelos de areia.

Por alguns segundos, o pinto do nosso amigo Eros passou despercebido. Só notei que ele estava bem à vontade quando fui renovar meu protetor. Olhei para o lado e vi o bichinho quieto virado logo para o meu lado. Normal, normal, mas nosso amigo tinha um pinto engraçado e ele estava virado logo para o meu lado. Que merda! Trabalhávamos no mesmo lugar e sempre de avental: ele grego, num restaurante japonês de um italiano.

A Ju foi a primeira a tirar a parte de cima do biquíni, doida para mostrar o que ninguém queria ver. Os peitões da Silvia saltaram, depois foi a vez dos meus peitinhos se espreguiçarem para fora do cortininha. A vontade de tirar tudo só crescia, mas não dava, não ali ao lado do pinto amigo (não leia-se PA). Depois de alguns cochichos, pegamos  a canga e fomos dar uma volta até encontrarmos um lugar mais deserto para despir o peso dos nossos tabus, da nossa vergonha, do muco da sociedade. Não andamos mais de 500 metros. Fizemos um montinho de biquínis e  cangas dobradas. Um, dois, três. Correria de mulheres, piadinhas, gritos de descoberta.

Estávamos nuas e tínhamos todo o tempo do mundo para curtir isto. Não existe coisa melhor que nadar pelada, água passando em todos os poros (está certo que a água do Pacífico é gelada, mas vale a pena). E aí vem aquela corrente fria nas nossas pernas, arrepia a alma. Que delícia!

Nunca senti meu corpo tão saudável e bonito. O mar recebia muito bem minhas acrobacias, ele era meu melhor espelho. O tempo passava e nossos risos confidentes aumentavam. Saímos do mar rindo, imaginando algas e peixes entrando onde não devia.  Vimos um cara numa bóia azul piscina, relaxando, pinto para o céu, hilário!

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Em terra firme, nos deparamos com um conglomerado de corpos que antes não pertencia àquele lugar. Cadê nosso montinho de biquíni? Até uma rede de vôlei estava montada com pintos sacando, cortando. Mais ao fundo um homem armava uma tenda com a barraca armada. Uma asa delta descia da falésia,com seu homem pássaro nu enquanto a menina linda de dreads fazia malabares.

A descoberta deu lugar à vergonha, começamos a rodopiar sem graça até acharmos nossos trapinhos. Sincronizadas, deitamos de bruços, escondendo pelos e rostos. Bundinhas para cima e três minutos depois apareceram dois homens. Bem acocorados na nossa cara. A visão era do inferno! Aquelas bolas bem ali querendo conversar com a gente. Aqueles sacos horrorosos ( como se existisse saco bonito!). Bastaria uma palavra para sermos desmascaradas. Foi Silvia que nos entregou. Os sacos balançavam naturalmente enquanto eles nos perguntavam: – Girls, Where are you from?

Too Late, três minutos depois Silvia, que deu corda, foi chamada para conhecer uma falésia muito doida. Sei!!!! Hora de falar em português: – Se manca, Silvia! Vamos sair rápido daqui. Colocamos nossas tanguinhas e vazamos.

Pouco depois tivemos a notícia que aquela área do parque natural de Torrey Pines foi proibida para nudismo. Quem quisesse exibir seus corpos dourados teria que ficar mais ao sul da extensão da praia. Não sei se os tarados ajudaram na decisão. O Eros não usa mais avental, aderiu ao kimono. Tudo guardadinho. Eu, nado pelada, mas só no Atlântico e com as partes do biquíni amarradas no punho.

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Vida privada

setembro 7, 2009

(por saia apertadinha)

Portas de banheiros de estabelecimentos comerciais podem ser ótimos exercícios para a criatividade humana. Não, não estou falando das frases poéticas e engraçadas deixadas por você nos toilets daquele bar descolado: “Mais vale as picas dos grandes mestres de obras que as grandes obras do mestre Picasso “. Refiro-me aos símbolos usados por donos de boates, restaurantes e pubs a fim de destinguir os banheiros femininos e masculinos, menino de menina.  Essas figurinhas em cada cantinho do mundo sempre  me chamaram a atenção  e chegaram até a me confundir (quando tem booze na parada, a coisa piora).

Em Praga, por exemplo, tive muita sorte em escolher o banheiro certo depois de ver uma laranja desenhada na porta. Para os machos, sobrou o limão. Até hoje não entendi a lógica para descodificar os dois ícones, se alguém decifrou, me conte. Nem cheguei a elaborar relações entre a acidez das frutas e o humor dos habitantes da cidade mais linda da face da terra. Acho que na hora pensei na nossa querida língua portuguesa: o limão, a laranja. Tudo bem que tem muita mulher fruta por aí, e também existe a expressão “bagaço”, mas laranja e limão nunca ouvi falar. Num bar em Minas, as portas do banheiro  também me deixaram perdidas. Levei uns segundinhos para descobrir o que significava de um lado três traços retos na vertical e do outro três traços um pouco inclinados. Quer dizer: menina faz xixi sentada (traços na vertical) e menino em pé –quase sempre –(pontilhado com curvinha). Confiram alguns achados mundo afora:  

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Mais imagens originais no: http://toiletsigns.blogspot.com/

Os dedos mágicos dos baixistas e a relação com nosso clitóris

agosto 28, 2009

 

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(por saia apertadinha)

O baixo é meu instrumento musical favorito.  Graças a ele existem os baixistas e seus dedos mágicos. Além do seu som grave que possibilita coesão e harmonia nas melodias, ele possui uma forma alongada (contrabaixo) de encaixe gostoso nas pernas de quem o toca. O braço longo de um baixo elétrico e o jeito do principal integrante de uma banda dedilhá-lo combina com rock, blues, jazz, heavy metal, hard rock, punk rock e por aí vai. Amo o grupo White Stripes, mas toda vez que escuto a música deles sinto um vazio, as notas não se encaixam tão bem.

Tenho a seguinte teoria: um bom baixista sustenta a música e também as preliminares de um sexo fantástico. A base para tudo de bom nessa vida! Sabe friccionar bem um arco de crina contra as cordas ou usar bem a técnica Pizzicato (beliscado em italiano), além de ter técnicas apuradíssimas de friccionar com magnitude a região dos grandes e pequenos lábios e do clitóris com seus indicadores. Não elaborei essa técnica sozinha, duas amigas foram de fundamental importância nessa conclusão.

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 Meu marido, com quem estou casada há três anos, é o melhor baixista do mundo. Faz solos incríveis e demorados: Sol, Ré, Lá, Mi, Sol, Ré, Lá, Mi…  Só rela em mim, vai, vai, só rela em mim… yes, yes, não pára, não pára… Ele só rela em mim (tomara que sim !). Tenho certeza que em um show para multidões, ele não precisa de amplificadores. Quando estou a fim de heavy metal e ele também, seus dedos trabalham mais rápido no meu corpo.

Para uma delas, amiga de infância, a paixão pelos baixistas tornou-se obsessão. Tudo isso porque a pobre coitada teve como primeiro namorado essa espécie de músico. Ele terminou com ela, e a adolescente de 16 anos teve que ficar literalmente na mão. A guria passou a seguir bandas atrás dos baixistas, não tinha olhos para mais nada: apenas indicador e médio. Imaginava orgasmos elétricos, mais que um fetiche, sua busca frenética era muito punk rock. Acabou encontrando um guitarrista e está feliz.

Ah, a outra amiga já  ficou com dois baixistas de bandas brasileiras de rock bem  famosas. Carioca da gema, é a maior maria palheta que conheço, não perde uma oportunidade quando o assunto é música. No momento, está de olho em um saxofonista, se der certo, prometo contar as aptidões da raça. O fôlego dele promete!  Sua boca carnuda, também!

Vibrador Calcinha de borboleta

julho 28, 2009

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(por saia apertadinha)

Gosto do voo das borboletas azuis, amarelas e roxas. São tão faceiras! Mas a minha borboleta preferida é uma lilás que guardo na gavetinha do meu criado-mudo. Duvido que exista uma borboleta que vibre mais! Além disso, minha amiguinha não gosta de voar em locais abertos. Há três anos, a comprei em uma loja onde também funciona um sex shop só para mulheres. Cheguei de mansinho, fingindo que olharia as roupas da coleção nova, dispostas na arara. Dois minutos depois, perguntei para a vendedora com rabo de cavalo: – Você tem aquela borboleta? Ela respondeu caminhando, pedindo com os olhos que a seguisse: –Ah, o estimulador clitoriano com vibrador no formato borboleta. É claro! Logo, iria conhecer o produto tão recomendado por minhas amigas e, agora, pela atendente, que mais parecia representante do vibrador com aquele marketing fajuto: “Tenho duas”.

Ao contrário dos vibradores comuns, a borboletinha não precisa ser introduzida em nenhum orifício, já que sua principal função é estimular o clitóris. Com medida aproximada de 4,0 X 5,0 cm, em gel, e super macia, ela possui controle de velocidade e funciona com duas pilhas. Pelo menos a minha é assim. A bichinha, feita de silicone, fica presa a duas cintas elásticas, que nos vestem como uma calcinha. A cabeça dela fica bem juntinho do clitóris, já em sua barriguinha há uma cápsula interna que vibra. Assim que o controle é acionado, nossa metamorfose começa. Para mulheres que além da estimulação clitoriana querem também penetração, há a opção da borboleta vibratória com pontas estimuladoras e pênis para inserção. Os tamanhos são variáveis e custam em média cerca de R$ 60 a R$ 300.

Um dia desses, quando a manhã começou meio torta, resolvi usar o brinquedinho como calcinha mesmo, debaixo da saia risca de giz (dentro de outra calcinha, claro!). No trajeto de 20 minutos para o trabalho, ouvi Let´s Dance do Bowie umas 15 vezes. A festa começou e um sorrisinho ficou estático na minha cara. Acho que fui multada esse dia, velocidade aumentou no controle remoto da borboleta e no carro.

Lembro que nessa manhã a reunião com a diretoria foi diferente. Ria das piadas imbecis da minha chefe enquanto um barulhinho de motor saia por debaixo da minha saia. Dava mil sugestões, orientações, e queria conquistar o mundo, como o Cérebro. Lembro de ter concordado também com algumas propostas idiotas, o que é difícil para mim. Adorei esse meu status meio sonso. (Ah, aceito sugestões de locais onde posso usá-la: cinema, vendo Family Guy etc.) A borboleta não substitui nosso amigo, óbvio. Ela sabe muito bem seu lugar, como sabe!

Minha borboleta voa rápido e baixo, devagar e alto. Às vezes, dá uns rasantes como morcegos desgovernados dentro de uma caverna. Ela reúne todas as espécies de insetos holometabólicos em um só corpo, tem atividades diurnas e noturnas e gosta de vegetação rasteira, além disso pode ser vista nas horas mais quentes e frias do dia. Mas como toda criatura da face da terra que completa um ciclo, minha borboleta morreu, virou purpurina! Pena que não foi só a pilha que arriou.

Ah, cuide bem da sua borboleta, lave-a antes e depois do uso com água e sabão neutro, deixe-a secar naturalmente. Evite o contato da água no compartimento das pilhas.

Me xinga!

julho 27, 2009

 

forum.imasters.uol.com.br

forum.imasters.uol.com.br

(por saia apertadinha)

Me xinga. Eu quero ser xingada! Pode ser em português, alemão ou mandarim, mas me xinga com vontade. Homens no mundo inteiro já ouviram de suas amadas companheiras de acrobacias na cama esse pedido entre lábios úmidos, beicinho levantado. Em resposta, receberam um suspiro, um silêncio ou, felizmente, eles mandaram ver. Pedro, um colega do trabalho, mandou ver mesmo. Durante dois meses, ele e sua nova investida gastronômica transavam entre gemidos, apenas. Nem uma palavra sequer, nenhuma “gostosa” para quebrar o galho da menina.

Semana passada, ela resolveu prestar contas à penitência. A língua deu uma panorâmica de 180º no lábio superior e a voz meio que escapuliu, como uma ejaculação precoce:

– Me xinga, Pedro, me xinga. Vai, fala!

Para tudo. Vamos listar algumas possibilidades. Quais palavras vêm à sua mente? Puta, vagabunda, safada (ai, que delícia!). Que bom, ufa, ainda estamos juntos! Ele olhou para os olhos dela com aquela cara de interrogação:

–Tipo o quê?

– Sei não, usa sua imaginação(enquanto dava uma cavalgada de leve).

– Ai, ah, ah (gemidos), tô meio sem idéia. Nessa hora ela já olhava para a parede descascada.

–Vai lá, me xinga.

– Tá, tá. Sua corna, chifruda!!!!!!!!!!!!!!!

Outro colega me contou que comeu uma mulher que xingava tanto ele, mas tanto, o pobre ficava constrangido. Ele me falou que metia forte pra ver se a assustava, mas o efeito era contrário. “Vai! Mete forte nesta bucetinha, agora! Vai! Tá molhadinha pra você! Isso! Mete o dedo, que bom!”. Repetia isso várias vezes, nessa ordem. Pera aí: ou essa mulher é dubladora de filme pornô ou ela tem o tal do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

Tem mulher que gosta de ouvir muita sacanagem na cama, outras “eu te amo” mil vezes, mesmo que seja na primeira noite, depois de conhecer um cara na balada e ir para um motel. Outras se amarram em palavras românticas, meladas que nem um pau. Tem gosto para tudo. Que o diga o lirismo de Martinho da Vila e as mulheres de todas as cores e idades, donzela e até meretriz. Sem falar nas desequilibradas. Cornas e chifrudas também!