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Sexo, abacaxi e feijão

fevereiro 23, 2010

por minissaia

Será que quem sofre de Distúrbio de Déficit de Atenção tem problemas no sexo? Afinal, os aplacados por este mal têm uma enorme dificuldade em se concentrar e é engraçado como mesmo um ato tão instintivo e animalesco como o sexo também requer capacidade de foco e concentração.

Tenho uma amiga que estava no maior bem-bão, com o cara mandando bem e tudo, mas, de repente, não mais que de repente, uma imagem pulou em sua cabeça. Ela não sabe dizer se foi sede, se foi um desejo reprimido, mas a verdade é que um grande copo de suco de abacaxi gelado apareceu em sua mente. E era só nisso que ela conseguia pensar. Naquele copo alto, suado pela baixa temperatura, cheio, lotado, de suco de abacaxi. Pega daqui, mete dali, e lá estava o suco de abacaxi. E o detalhe, não do sexo, do suco, era o guarda-chuvinha colorido, daqueles de enfeitar drink. Vai ver não era só suco de abacaxi e, sim, uma piña colada. Beijos, mãos e sexo… e o diabo do suco de abacaxi, com um guarda-chuvinha de papel colorido.

Ao ouvir essa estória, um amigo confessou que, uma vez, durante o sexo, começou a pensar num prato de feijão. Feijão!!! Ainda menos sexy que o suco de abacaxi. Um, pelo menos, refresca, é docinho. O outro, dá gases. Puns e sexo não combinam. Sexo e um prato de feijão quentinho… será que tinha louro e lascas de bacon?

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Ortografia da beleza

fevereiro 8, 2010

por saia poética/ Carla

Aprendi com a biologia das palavras
O segredo do ventre do mundo.

Descobri adjetivo com olhos
de pêssego maduro.
Outros, atarantados de caroço,
parecem até
castrados de asa
no horizonte.

Há verbo oco,
Há também pançudo.
Tudo depende
do voo da libélula
na alma da semântica.

A anatomia dos prefixos tântricos,
por exemplo,
revela a aura de um dia.

Já a preguiça de advérbio cansado,
esticado de enguia,
esconde fome de feriado.

Sem falar nos substantivos animais
que, sem querer, se exilam
em flores.

A biologia das palavras
é para gente
avariada de vida,
abandonada em reticências,
entardecida de poesia.

Verdades do Rio

fevereiro 1, 2010

Por saia poética/ Carla Andrade

Peneire-me com a sua voz
De um lado, prometo deixar
carcaças grávidas de idéias
Do outro, sementes
podres de ignorância.

Depois, me jogue no rio
mais transitório que existir
em uma manhã de pálpebras entreabertas.
Deixe fluir os pés fincados das minhas lembranças.

Aí, com ternura, observe como a água
arrasta os galhos da minha perseverança.
Corra para a outra margem
e veja a minha bóia de sonhos e sua dança.

Quando eu parar em alguma pedra safada,
com síndrome de julgamento,
sopre, sem pressa,
os calos dos meus pensamentos.

O que quero é simples.
Caminhar de mãos dadas na
varanda da vida, em direção ao mar.

A síndrome do bonzinho

janeiro 25, 2010

por minissaia

Eu sei que já escrevi sobre a maldade que a maioria das mulheres faz com os bonzinhos. Sobre como vivemos exigindo disponibilidade, mas quando a temos, acabamos abusando do cara ou até maltratando-o. Resolvi bater na mesma tecla de novo, porque, recentemente, tenho reparado que, de fato, as mulheres modernas, fortes e independentes têm valorizado cada vez mais os homens um pouco durões, indisponíveis e teimosos. Não é o caso de querermos homens abusivos, conservadores ou ‘tóxicos’.

Mas acho que toda mulher que passa por um namorado que sempre concorda ou que sempre cumpre nossas ordens ou que sempre abaixa a orelha quando berramos, acaba querendo um cara que a desafie, que a surpreenda. E a melhor forma de surpreender uma mulher é não fazer o que ela estava esperando na hora em que ela estava esperando. Este texto, porém, não vai explorar a perspectiva feminina do caso, mas tentar compreender e ajudar o outro lado: o dos meninos bonzinhos.

Um dos aspectos mais intrigantes do bonzinho contemporâneo é o fato de que ele não é necessariamente nerd, feio ou apático ao extremo. Pelo contrário, hoje, há vários gatíssimos, inteligentes e independentes rapazes que acabam entrando no padrão bonzinho-que-um-dia-é-largado. Por que isso acontece com eles? Simplesmente porque foram criados acreditando na importância da comunicação no relacionamento, na importância de valorizar a mulher e respeitar seus desejos. Eles se esforçam para sempre aceitar a vontade feminina e, mais, sempre acatar todos os seus pedidos, acreditando que, assim, estarão contribuindo para o relacionamento, e sendo homens verdadeiramente modernos e à vontade com uma postura mais feminista.

 O que esqueceram de avisá-los é que os desejos femininos e sua vontade de comunicação nem sempre são coerentes ou mesmo válidos. Somos muito hormonais e emotivas para sempre termos um tema super relevante e equilibrado para discutir. Às vezes provocamos discussões no namoro só pra desabafar, para brigar, para despejar nossa TPM em alguém. E como o bonzinho se sente na obrigação cavalheira de se manter por perto nesse momento, ao invés de soltar um ‘quando você tiver algo válido para falar, me liga’, acabamos inundando o pobrezinho com comentários maldosos e nem sempre verdadeiros a respeito de nossos sentimentos, desejos e vontades dentro do relacionamento.

 O erro do bonzinho é não saber quando parar de dar corda para a neurose feminina. Essa corda que a mulher vai pedindo é a mesma que ela usa para enforcar o namoro no final. Parece cruel, parece machismo, mas, vai por mim, tem muita, muita mulher que namora um bonzinho para se fortalecer até encontrar um cara que ‘a ponha no seu lugar’, através de menos disponibilidade, menos DR, menos corda para nossas paranóias, ciúmes, TPMs e hormônios. O cara foda não precisa ser um crápula.

 Faço questão de frisar isso. Mas é que ele sabe ou pelo menos finge saber a hora de parar de atender aos pedidos femininos, pois estes podem ser intermináveis. Nós somos gulosas emocionais. Enquanto nos ouvirem, nós falaremos. Enquanto nos atenderem, nós exigiremos. Enquanto nos idolatrarem, nós vamos aproveitar a massagem no ego. O problema é que este estilo de relacionamento cansa a mulher depois de um tempo. E aí que o pobre do bonzinho, compreensivo, atencioso e excessivamente disponível e carinhoso, toma um pé na bunda. Rapazes, vocês não serão menos cavalheiros se soltarem um ‘não, não vou fazer isso por você, porque isso não é relevante para nosso relacionamento’.

Vocês não serão machistas por tentarem afrouxar a coleira que se deixam colocar para provar sua fidelidade. A mulher não sabe valorizar o cara disponível demais, porque, infelizmente, somos treinadas a testar o amor de um homem o tempo todo, por conta dos eternos padrões sociais de ‘todo homem é galinha’, ‘nunca confie num homem’, ‘só casa quem sabe botar freio no homem’. Não é nossa culpa, mas também não é culpa dos bonzinhos. Uma mulher gosta de tomar um forinha de vez em quando. Principalmente aquelas que passam o dia inteiro mandando no trabalho, na empregada, nos filhos, enfim, comandando a própria vida com pulso de ferro e ensinando os outros o tempo todo. Sentimos uma necessidade de uma insegurançazinha aqui, outra ali (nada de exagero!), para nos mantermos motivadas e interessadas no relacionamento.

Precisamos de um cara que diga ‘eu vou fazer do meu jeito’ ao invés de um que sempre acha que estamos certas. Não há nada de errado em dispensar uma DR na época da TPM. Muito pelo contrário. Dependendo da TPM, isso é questão de bom senso ou até de sobrevivência. Pensem nisso

Dá para o titio

janeiro 20, 2010

(Por saia empresatada)

Mordeu o umbigo de Viviane e desceu lentamente o trajeto com o bigode de ator de filme pornô dos anos 70. Ela virou os olhinhos, enquanto empurrava a cabeça de Rodolfinho com pressa para entre suas pernas. Ele entendeu o recado, desceu mais um pouco a língua, os olhos, e resolveu ficar ali, olhando, ou melhor, encarando aquela nova amiga, a Sebastiana – nesse momento o moço já havia batizado a pobre e indefesa buceta (nada de boceta com o, por favor! Com u é muito mais gostoso).

Fitou com cara de lesado o fundo da alma de Sebastiana e soltou um suspiro. Depois, com uma voz de criança, preparou a artilharia brochante:

– Fala pro titio o que você quer. Titio dá, dá, dá tudinho! Tudinho para naninha.

Viviane afundou-se como um molusco no travesseiro Nasa. Com dó de si mesma, quis viajar para outro planeta. Mas hesitou, olhou para as pantufas do moço debaixo da cama e, com pena ou sei lá o quê, decidiu apenas estar.

A conversa continuou sem indícios de onde tanto lero-lero ia dar, ou melhor, não dar! – O Titio não tá ouvindo nada! Dá língua para o titio, não! Que coisa feia, menina! (referindo-se aos pequenos lábios da mulher).

O pior é que o chat com a buceta estava apenas começando e o que, à primeira vista, era apenas um monólogo com a vagina, se transformou em um papo doce e sufocante:

– Naninha quer pirulito?

Vozinha do ventríloquo de Sebastiana: – Quelo! (comendo o R) De molango!

Louca para que (sua) Hitler aniquilasse aquele bigodinho sonso, deu mais uma chance para o rapaz e entrou na brincadeira: – Quero pirulito, lingüiça (não trema na lingüiça), salsicha! Só não enguiça nem embaça!

Foi aí, que Rodolfinho soltou um pedido de silêncio bem gelado: – Shiiiii!!!!!!!!!!!!!! (Confúcio estava errado quando disse que “O silêncio é um amigo que nunca trai”).

Viviane, perplexa, deu um pulo na cama e quis saber que “putaria” era aquela: – O que tá rolando aqui?

–Não vê que não estou conversando com você! Meu papo é com a Naninha, respondeu.

Aquilo era pedofilia das brabas com a buceta de Viviane, que nunca tinha presenciado cena tão patética em toda sua longa vida. – Vou embora agora, credo, você é um louco, pervertido! Apanhou as roupas espalhadas no chão do quarto dele, vestiu a sua calcinha com a estampa da She-ra para se proteger e foi nessa!Deixou o doido falando sozinho.

Amigos, sugestão: Se forem colocar apelidos carinhosos nas ditas cujas esperem a intimidade, o tempo se encarregará disso. Ah, a Viviane quer ser apresentada ao He-man e ela é todinha do bem.

Vida de merda (VDM)

janeiro 10, 2010

por saia emprestada

Depoimentos de pessoas que têm uma vida de merda (VDM):

“Hoje eu e meu namorado estávamos fazendo sexo anal e eu pedi para ele parar porque meus braços estavam formigando (eu estava de quatro). Ele disse: “Tudo bem, sei como é”. VDM” É a sua vida é uma merda… (612) – Você mereceu (29)

“Hoje, depois de muita insistência, deixei meu namorado gozar na minha boca. Agora ele está com nojinho de me beijar. VDM”É sua vida é uma merda (837) – Você mereceu (259)

 “Hoje meu namorado escondeu o pinto no meio das pernas e gritou “Bucetinha!”. VDM” É a sua vida é uma merda… (600) – Você mereceu (59)

Hoje falei que queria dar pro meu namorado e ele me mandou ler conto erótico. VDM. É a sua vida é uma merda… (1012) – Você mereceu (95)

 Você tem apenas 140 caracteres para contar a maior merda do seu dia. Um pequeno espaço para compartilhar  desgraças inusitatas  que detonaram seus mísiros minutos. A única exigência é que as histórias sejam engraçadas.Essa é a proposta do site vidademerda.com.br. O público avalia, a partir do seu cômico relato, por exemplo, se sua vida é uma merda e se você mereceu. Confiram, vale muito a pena rir dos nossos tropeços cotidianos. Mas rir da vida de merda dos outros é ainda melhor. E aí? Você tem alguma história para contar?

http://vidademerda.com.br/

Saquinho de jujubas

dezembro 30, 2009

(por saia apertadinha)

Hábito, bem que você podia ser um saquinho de jujubas bem sortidas. Assim, não me prenderia em horários fixos, em planejamentos mancos. Hábito, você não tem o direito de brincar com o infinito.

Não sei criar hábitos, me enraizar. Gosto quando o vento bate em minhas folhas, me levando para cá e para lá.

Segunda-feira, acordo com vontade tomar coca-cola e durmo vendo filme noir.

Terça-feira, capricho no café da manhã e cismo em tomar chá verde, chá de mil ervas para emagrecer. À noite, separo meus livros preferidos para com eles me deitar.

Quarta-feira, acordo com a sensação de que estou velha, preciso me exercitar. Água Mineral, nadadinha, corridinha, nada mal. Vinte minutos depois estou lá, com um milho na mão e pernas para o ar.

Quinta, ressaca moral, falei mal da minha vida para o namorado do meu ex. Quero escrever poesia, mas desisto em distração ao ver meus cães correndo atrás de um pombo no quintal. Escuto ACDC, The Clash e Roberto Carlos. Falei que não ia farrear, amanhã acordo cedo, tudo bem, vamos lá! Dança tango eletrônico e me acabo na mesa de um bar.

Sexta, quero provar um queijo novo, me inscrevo na aula de pintura, tranco a dança flamenca. À noite, faço brigadeiro e choro de soluçar.

Sábado, quero ser voluntária, parar de pensar em mim, ajudar crianças. À tarde, ir ao shopping, esquecer que existe dia e noite. Ao sair, me assustar com aquele luar.

Domingo, tenho saudades da família. Só me resta recomeçar. Mais uma semana. Hábito, por que você não me ensina a deixar de querer não sei o quê. Deixa para lá!

A arte da paquera

dezembro 18, 2009

(por minissaia)

Aí um conceito universal do mundo dos relacionamentos. Todo mundo sabe o que é paquerar e a importância dessa fase antes de qualquer ficada e, conseqüentemente, de qualquer namoro.

Apesar dessa universalidade de conceito, as características da paquera mudam muito de tribo para tribo. Peguemos as frases de abertura dos homens, por exemplo. Para um playboy, nada mais eficiente do que dizer “tenho uma Z4”, “meu pai é dono do Pão de Açúcar”, e “tenho meu próprio escritório de advocacia desde os meus 18 anos”. Para a galera natureba, a frase já teria que circular ao redor de “apóio o desenvolvimento sustentável”, “lasanha de tofu é meu prato favorito”, e “faço meus sapatos de hemp”. Para os emos, a paquera provavelmente começa com um “tentei me matar três vezes mês passado, porque meus pais não entendem minha dor de jamais conhecer o vocalista do Simple Plan”.

Do lado feminino, porém, a coisa tende a ser um pouco mais uniforme e generalizada, a começar pelo fato de que a paquera feminina é vista mais como gestual do que verbal. A bem da verdade, isso ocorre porque a maioria dos homens puxa o papo, mas logo está pensando em que sutiã ela está usando, ou se ela é daquelas que dá na primeira noite, então, eles acabam não notando os sinais da paquera na conversa em si, o que é uma pena.

Alguns sinais, hoje, são até batidos. Mão alisando o cabelo o tempo todo, “contato manual” excessivo, risos abundantes mesmo das piadas mais idiotas. Algumas chegam a forçar a barra e tentar uma cara modelete com a boca ficando um pouco mais pronunciada e os olhos um pouco mais cerrados. Aquela cara de capa da Elle ou de quem tá saindo de um lugar com muita fumaça de gelo seco.

Na parte verbal – ainda que ignorada pela maioria dos homens – vale muito prestar atenção se ela está apresentando ‘a melhor versão de si mesma’ ou ‘desencanada amorosamente’, para não dar a impressão de compromisso imediato: “Ah, eu não sou ciumenta, não”, “eu e meu ex terminamos super na boa”, “as pessoas não se permitem mais só conhecer as outras na noite, né? Tipos, sem compromisso, né?”.

Tá certo, não falei nada de novidade até agora. Mas aqui vem a bomba: rapazes, se liguem! A arte da paquera é muuuuuuito mais fácil do que vocês imaginam e sua insegurança normalmente é a única coisa que caga tudo. Isso porque, se a mina parou para ouvir a sua primeira frase, vão por mim, ela já gostou do que viu.

As mulheres têm a capacidade de fazerem uma seleção rápida, com base em uma complexa análise de detalhes – só no investimento posterior, já na fase de namoro, é que ela dedica seu tempo para valer. Isso porque as mulheres são muito de química, de empatia imediata. Se você chega perto e ela não tá afim, você vai sacar na hora, pois ou ela vira a cara mau humorada e irritada pela sua audácia. Ou então, se ela estiver sendo meramente diplomática, vai até te ouvir, mas vai ficar olhando ao redor, procurando algum conhecido, vai dar respostas sinceras demais ou resumidas demais (mulheres não são monossilábicas por natureza!) ou vai dar um jeito de te entediar com o silêncio dela até você vazar. Não leve para o lado pessoal. O gosto é dela. Parta logo para outra!

Dessa forma, aqui seguem as dicas da paquera masculina:

1 – Curta a noite antes. Não parta direto para a paquera. Faça reconhecimento de terreno, selecione umas duas ou três garotas para abordar depois, converse muito com seus amigos, gaste seu repertório de piadas imundas com eles, ria muito, aproveite sua noite como se você já tivesse uma namorada, e não como se estivesse caçando uma nova.

2 – Não apele na birita. Uma das razões principais para levar um ‘não’ precocemente é chegar sem perceber que falou “voxê zem zempre por aqüi?”, com aquele bafão sinistro na cara da mina que não está de chapinha e maquiagem para um bebum vir desperdiçar seu tempo. Uma bebidinha é bom para dar aquela “soltada”, mas passar da conta é pedir para levar um fora.

3 – Observe. Antes de partir para o ataque, tente “ler” seu alvo. Ela é mais tímida ou mais descolada? Fala alto? Fala muito? Está alegre? Está numa noite só de mulherada ou está disponível? Tudo isso é material para você criar uma abordagem mais natural, mais em sintonia com o perfil dela, pois as mulheres sentem de longe o cheiro de pólvora no cara que está “atirando para todo lado”. A observação prévia ajuda a garantir aquela sensação de que você quer conhecer ela. E não comer qualquer uma.

4 – Explore.seu.senso.de.humor. Mulheres ADORAM caras engraçados. Vocês não estão entendendo. Mulheres AMAM um cara que as faça rir. E para isso, não precisa decorar um repertório de piadas prontas. Seja sagaz, faça comentários sinceros, mas brincalhões, e pode soltar um pouquinho da sua maldade feminina falando mal da roupa de alguém no local. Sem exagerar. Ela tem que saber que você é espirituoso e não simplesmente maldoso.

5 – A dica mais simples é, ao mesmo tempo, a de mais complexa absorção. Esta é, realmente, a dica mais importante para um homem. Não apenas na paquera, mas em sua atitude na vida. Aqui vai: chegue chegando. Não, eu não disse “chegue agarrando”. Chegar chegando é uma questão sutil, de pura atitude. A mulher bonita pode ser muito intimidante para o “homem comum”, porém, sinceramente, ela pode ser linda, mas está no mesmo estabelecimento que você. Provavelmente com a mesma quantidade de amigas(os) que você. Com uma roupa proporcionalmente tão cara quanto a sua. Com escolaridade e classe social não muito distante das suas.

Então, vai chegar com cabeça baixa pra quê? Tá devendo alguma coisa para ela até esse momento? Passou uma venérea para alguma amiga dela? Então, CARA, chegue chegando, feliz, confiante, com cara de quem está na vida para conhecer alguém legal, mas sem desespero.

Ao contrário do que muitos pensam, nem precisa apelar para o ‘se você não me quiser, tem um monte de outras vadias para eu pegar’. Não, isso não é muito século XXI e é completamente desnecessário na hora de abordar. Tente apenas transmitir a sensação de ‘gostei de você, mas se você não gostar de mim, fique tranquila, não vou morrer por isso…nem um pouco’. Parece fácil, mas não é. Essa dicazinha demanda auto-estima, auto-confiança, assertividade e segurança na própria pele. E são essas as características mais desejáveis em um homem!! Saiba quem você é, antes de tentar saber que é ela.

Natal do Tio Sam

dezembro 11, 2009

 

(por saia apertadinha)

Luzes de todas as cores e tamanhos. Pinheiros que não existem no Brasil, mas você pode encontrar logo ali nas Lojas Americanas. O algodão que insiste em ser neve. As sales dos shoppings e do centro da cidade também. O pirulito da Praça Sete vai estar todo enfeitado. Que originalidade! As casas estarão enfeitadas, mas não vão participar de concursos em Beverly Hills. É natal! Nasceu o menino Jesus!

É natal! Você pegará uma cartinha de natal dos Correios. E vai descobrir que as crianças estão pedindo novos brinquedos: laptops, celulares. Ai que saudade do tamagoshi!  Seu patrão vai te dar mais uma cesta padronizada, correndo o risco de trocar seu nome no cartão. Você vai ganhar um cartão musical e ainda vai agradecer. Papai noel, ou melhor Santa Claus, talvez apareça por aqui se o seu trenó tiver placa ímpar na noite do dia 24. As meias estarão nas chaminés, mas não haverá chaminés.

É noite de natal! Jesus Christ!O especial da Xuxa vai passar novamente. Ufa! Que tranquilidade! O cheiro de rabanada vai infestar a casa, mas o panetone não vai ser caseiro. Ele virá em uma linda caixinha americana com gotinhas de chocolate. Iremos celebrar. Quebra-nozes!

A mesa estará farta. E as portas fechadas, temendo que alguém peça comida numa hora dessas. Todo mundo terá medo de não estar feliz nessa noite. E para estar feliz aqui é preciso esquecer que tem gente lá fora morrendo de frio e fome, esperando para catar as migalhas da ceia.

Ser feliz será acreditar que se Deus é brasileiro, Jesus é americano. Happy Christmas!!

Pega no meu Peru?

dezembro 6, 2009

 

(por saia apertadinha)

Ele tinha uma sunga goiaba. Mas não a usou para ir à praia. José Eduardo jogou um roupão branco por cima do corpo magro, colocou a touca de borracha speedo e os óculos de natação.  E assim, meio Gustavo Borges do cerrado, foi à festa a fantasia da Marcinha. Duas horas depois, estava no meu carro (mas vamos deixar essa parte para mais tarde). Dançou o bonde do tigrão abrindo sua capa de super-herói aquático “Eu quero pegar alguém”. Entre um pancadão e outro, o roupão se abria e deixava à mostra a marca na sunga deixada pelas repetidas idas ao banheiro.  Culpa da Cerveza Sol.  E a Sol aparecia! Agora já era o Zé para os mais íntimos. O Zé Gotinha!

Mesmo assim, ele foi parar no meu carro. Ele com uma garrafa na mão, eu com gosto de limão após muitos mojitos. Falamos da gripe suína, concursos públicos e, claro, no bonde do tigrão.  Ele se sentia o máximo naqueles trajes, eu escondia um pneuzinho aqui, outro ali, me virava. Carro ligado, momento da despedida. (Pesquisa recente, de alguma faculdade recente, de uma cidade recente, revela que intelectuais, punks, emos, roqueiros, engravatados, atletas, mascarados, lontras, capachos, filhinhos de papai e traumatizados dão o bote neste momento lúdico e criativo. Momento “É agora ou nunca”. Que falta de imaginação!).

Beijo molhado. Pausa para cena do beijo: Minha mão segura a nuca de silicone das cordas dos óculos de natação. A mão dele desce para um lugar onde não tenho silicone. Até aí tudo bem.  Normal! Mas, de repente, ele para, suspira profundamente, e diz:

– Loucura, loucura, loucura!

Assim mesmo, a mesma frase que o Luciano Huck fala todos os sábados na rede Globo. Volta o beijo. Para um pouquinho e mais:

–Loucura, loucura, loucura!!!!

Nesse momento, a carência feminina até puxou o senso de ridículo para uma conversa num canto bem escondido da razão, mas foi avacalhada pelo álcool. O beijo continua e a mão também. A visita ao Caldeirão só é interrompida por um cândido pedido e uma abrupta retirada do boto cor-de-rosa da sunga:

– Pega no meu peru! Vai pega, pega no meu peru! (O que aconteceram com palavras tão sonoras e gostosas como caralho, cacete, vara, geba, tora?)

Não deu, soltei uma gargalhada. Tudo bem que era festa à fantasia. Mas aquele nadador teria que afogar o ganso ou o peru bem longe dali.

Glu-glu! Beijinho, beijinho e ciao pau! Loucura, loucura, loucura!!!!